Já de há dois anos para cá que tenho alunos que sofrem de hipeatividade. O modo como se "lida" ou "não se lida" com esta doença ou perturbação é medicar os miúdos de manhãzinha e esperar que os ditos comprimidos funcionem até ao final da tarde.
Os problemas instalam-se sempre quando:
a) os pais não conseguem medicar os alunos, ficando a tarefa delegada aos professores... Que podem estar até ao meio dia a tentar;
b) Os alunos não são medicados de todo e as aulas tornam-se num circo.
Eu compreendo a utilidade destes comprimidos, mas faz-me mesmo confusão o modo como eles atuam sobre os miúdos. É litaralmente domar os miúdos... Controlá-los através de quimicos. Tipo calmantes para cavalos.
Os miúdos ficam com um ar mesmo bloqueado, olhos vidrados, meios apáticos... Nota-se bem que estão sob efeitos dos calmantes. Isto custa-me. Custa-me, principalmente, pensar que esta parece ser um doença "da moda"pois, pela ordem de ideias no que diz respeito à saúde, isto sempre existiu. E, no entanto, antigamente não havia "hiperatividade". Havia miúdos mais traquinas que outros ou mais educados e respeitadores que outros... Pergunto-me até que ponto é mesmo necessária a medicação... Parece que lhes arrancamos a jovialidade e a brincadeira, inerentes à idade deles... Como se de uma castração se tratasse.