domingo, 23 de fevereiro de 2014

Carta aberta aos meus pés.

Queridos pés

Eu sei que a nossa relação desde cedo viveu os seus amargos de boca. Ora porque vocês cresciam e eu andava convosco apertados nos sapatos, ora porque vocês decidiam que as unhas iam encravar e eu que passasse as passas do Algarve. Nunca fomos constantemente felizes, mas sempre fomos dando um jeito. Vós sempre tivestes sorte pela dona que tendes... O facto de eu adorar rasos e sapatilhas sempre vos fez muito felizes. Noitadas longas e aqui a totó de sapatilhas, só para vos agradar e ter uma noite espetacular. Cheguei ao cúmulo de arranjar um namorado que é pouco mais alto que eu e me limita o uso de saltos! Quão sortudos fostes vós com a dona que desencantastes?
Pois.
No entanto, vós não sois bons para mim nos momentos que mais preciso de vós. Como foi o caso de ontem à noite. Sabeis bem que há muito que eu não saía. Que até já pensava várias vezes em marcar com amigas, arranjar-me com o mesmo aprumo das adolescentes de hoje em dia e ir curtir até à hora que me apetecesse. E vós, fostes complacentes? Ajudastes-me? Demonstrastes que é possível viver-se em simbiose comigo? Não.
Vós fostes cruéis!  Eram duas da manhã e já parecia que alguém me cortava os mindinhos,  logo na altura que eu já estava quente e a curtir ene a música!
Não vos perdoo. Não vos perdoo que me tenhais arrastado para fora da discoteca pouco depois das duas e meia, coberta pela vergonha de me vir embora porque me doíam os pés.
Mas, escrevam o que vos digo, isto não ficará assim.
(sim, caros leitores, isto soa a ameaça mas sossegai que eu não posso atentar contra a saúdes dos meus pés... ainda).

Sem cumprimentos nem massagens nem nada,

Bafejada.


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Solteiros, casados, em celibato curto/longo, desesperadamente à procura que comentaram