A razão é simples, a vida não é simples, e eu, ao contrário do que muita gente grita, não me enquadro de modo nenhum na geração à rasca. Sim, está difícil arranjar emprego mas quê? Vou ficar sentada em casa a queixar-me e ir para as ruas esperar que alguém me atire um trabalho bom para o colo? Obviamente que não. Faço-me à vida e há mais de dois anos que sou monetariamente independente, para felicidade dos meus pais. Custa? Sim custa. Nada nesta vida é simples ou acessível. Fica um ligeiro e rápido amargo de boca quando vejo os pais dos meus alunos aproximarem-se com a frase "Ah está aqui a trabalhar?", onde se lê nas entrelinhas "coitada vê-se bem que não há trabalho no ensino, blá, blá"? Fica. Mas é efémero. Porque eu sei que quando terminar o Mestrado terei trabalho(a minha área tem). E porque sei que estou a trabalhar por motivos mais do que fortes. E porque uma das minhas máximas é "O trabalho enobrece". Sinto-me especial por arranjar sempre trabalhinhos que me garantem a minha independência enquanto sou jovem. Mil vezes isso a ter que pedir aos pais ou a não fazer nada porque não tenho dinheiro.
E mais, tenho experiência de vida. Dou valor a todos os tipos de trabalho, respeito os seus funcionários porque sei o que custa o dito trabalho e sei o quão nojento é tentar-se ser simpática e afável recebendo das pessoas comportamentos e respostas estúpidas e arrogantes.
Sinto que cresço e que um dia darei mais valor ao meu trabalho pois terei termo de comparação com pessoas que não terão tanta sorte como eu.
O que respondo quando me encontram e me dizem a frase supra referida?
"Sim, tem que ser. Assim não sou um peso para os meus pais."
É remédio santo, mudam logo o tom de voz e o discurso:)
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